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Setenta anos da história do mundo pelos fotógrafos da Magnum em exibição em Nova Iorque

O International Center of Photography, em Nova Iorque, celebra o 70.º aniversário da agência Magnum, uma das mais importantes agências de fotografia do mundo, com uma exposição que inclui obras dos fundadores Robert Capa e Henri Cartier-Bresson.

A exposição é organizada por Clément Chéroux, antigo curador de fotografia do Centro Pompidou, em Paris, e explora a história da segunda metade do século XX, através do trabalho de 75 fotógrafos desta agência.

“Quando se olha para o catálogo da Magnum, não se consegue evitar um misto de júbilo e vertigem. A vasta coleção de imagens e informação reunidas – os grandes eventos, junto com os factos e acontecimentos do dia a dia, o riso, a violência, os momentos mágicos ou de importância simbólica, e até representações de pensamento abstrato – contêm, potencialmente, todas as histórias do mundo”, disse Clément Chéroux, na apresentação da mostra.

A exposição inclui cerca de 200 fotografias, bem como livros, revistas, vídeos e documentos que mostram a história destas imagens, capturadas por estrelas da fotografia como Elliott Erwitt, Susan Meiselas, Martin Parr e novas promessas como o sul-africano Mikhael Subotzky.

“Queríamos mostrar as muitas vidas destas fotografias e os vários contextos em que foram apresentadas. Tentamos levantar a questão de o que é a Magnum e como podemos ligar essas varias perspetivas”, explicou a historiadora Clara Bouveresse, que ajudou a organizar a exposição.

Assim que se entra na mostra, veem-se trechos da Declaração Universal dos Direitos Humanos, aprovada em 1948, um ano depois da fundação da agência, e duas dezenas de fotografias que refletem os valores humanistas e utópicos do pós-guerra, partilhados pelos fotógrafos da agência. Começa assim a primeira parte da exposição, que reúne imagens feitas entre 1947 e 1968.

A segunda parte, que se estende de 1969 a 1989, centra-se num mundo em fragmentação, com foco nas subculturas e minorias.

As imagens da última parte, de 1990 até à atualidade, mostram um mundo em mudança e sob várias ameaças.

“A exposição indica quão vastos são os terrenos exploráveis cobertos pela coleção. Oferece uma pequena reconstrução de toda a experiência humana e mostra como a Magnum é um mundo em si mesma”, explica o curador.

Criada por quatro repórteres fotográficos durante a II Guerra Mundial (além de Robert Capa e Henri Cartier-Bresson, George Rodger e David Seymour), a Magnum começou como uma cooperativa de fotógrafos que queriam tirar vantagem da tecnologia mais recente para registar um mundo em mudança.

Na exposição, podem ver-se fotografias históricas de Martin Luther King e do funeral de John F. Kennedy, mas também trabalhos mais abstratos, como o de Paolo Pellegrin, que registou a crise dos refugiados no Mediterrâneo, fotografando apenas as suas ondas, e de Alessandra Sanguinetti, que fotografou o passeio marítimo de Nice, após o atentado terrorista do ano passado, na escuridão e completamente vazio.

Também podem ser vistos os catálogos comerciais feitos nas décadas de 1980 e 1990, para bancos e diferentes indústrias, como forma de rendibilizar a atividade da agência e possibilitar que os fotógrafos se dedicassem a projetos mais pessoais.

“O principal feito [da exposição], além das descobertas de arquivo, é mostrar a fotografia não apenas como um mero documento, mas como algo intermédio, ligado ao mundo mas ainda obedecendo às suas próprias regras”, escreveu o crítico do The New York Times Jason Farago.

A exposição, que tem o título “Magnum Manifesto”, fica aberta ao público até 03 de setembro.

 

AYS // MAG

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