Friday, May 18, 2012
Indignados: Occupy Wall Street “hiberna”, mas já planeia a renovação na primavera PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Quarta, 01 Fevereiro 2012 10:49

Nova Iorque, 01 fev (Lusa) - O movimento de protesto Occupy Wall Street sobrevive ao gélido inverno de Nova Iorque em quase hibernação, sem um parque ou uma praça onde concentrar público e atenções mediáticas, mas já planeia uma "rentrée" de novas ocupações.

"Na primavera vai ser uma loucura. Vai estar bom tempo outra vez e ninguém vai querer estar dentro de casa. Espero que consigamos retomar o parque Zucotti", disse à Lusa Anthony, ativista de 22 anos.

Ex-trabalhador da construção civil que se despediu para se tornar "ocupa", Anthony foi um dos muitos manifestantes expulsos em meados de novembro do Parque Zucotti, junto ao centro financeiro de Nova Iorque.

 

Como muitos outros, passou a uma espécie de nomadismo e hoje divide os seus dias entre um centro paroquial no sudeste da ilha de Manhattan e uma galeria pública de lojas no número 60 de Wall Street, onde na segunda-feira de manhã cerca de 30 manifestantes se entretinham comendo, conversando, tocando viola, lendo ou jogando xadrez.

"Estamos a manter a bola em movimento, não estamos parados. Tem havido muitas ações e estamos a planear mais", dizia à Lusa o jovem, que não aceita o termo "hibernação", preferindo dizer que o movimento apenas "perdeu visibilidade".

Sem a participação de milhares de estudantes e trabalhadores sindicalizados, as marchas do movimento Occupy passam agora largamente despercebidas e os donativos ao movimento caíram para um décimo dos níveis de novembro.

Outras ações envolvem concentrações em parques, como no passado fim de semana em Washington Square, próximo da New York University, e palestras em liceus.

Estão também a ser planeadas ações em toda a cidade para o próximo dia 17 de fevereiro, quando o movimento completa cinco meses de existência.

Natural do bairro nova-iorquino de Queens, Anthony tem abrigo graças a "couchsurfing", dormindo em casas de amigos ou de outros membros do movimento.

Outros dormem numa igreja em Brooklyn ou onde o grupo Occupy Wall Street encarregue da habitação lhes consegue um teto.

Algumas centenas de manifestantes têm dormido numa outra igreja na zona ocidental da cidade, mas na segunda feira faziam limpezas e preparavam-se para mudar, em princípio para um centro em Yonkers, a norte de Manhattan.

Apesar do apoio prestado pelo movimento na alimentação e alojamento de manifestantes, também já há manifestantes anti-Occupy, como Melvin Banks, que no final da semana passada, apesar de temperaturas próximas de zero graus e chuva, protestava contra a "elite" que dizia ter "sequestrado" o movimento e o dinheiro.

Nas galerias de Wall Street, onde perante olhar atento de polícias e seguranças também dormem muitos sem-abrigo, este tipo de protestos são vistos com naturalidade.

"É preciso ter alguém que promova essa agenda, que se queixe, que se zangue, que queira que as coisas sejam melhores", disse à Lusa Eric Carter, enfermeiro anarquista e "profundo crente na ajuda mútua", que frequenta as galerias durante o dia.

Como outros manifestantes, este jovem de 31 anos, que veio dos subúrbios de Washington, sonha com a reocupação do Parque Zucotti, ou outro espaço público, embora acredite que a atual situação de nomadismo "não mata o movimento", que lançou a discussão "sobre a desigualdade em todo o país, sobre os excessos dos bancos".

"Alguns pensam que esta é uma altura de quase hibernação. Na primavera, vamos ter todas estas forças a juntarem-se, os estudantes universitários a sair à rua, o tempo a melhorar, tudo isso. Vai ser uma coisa em grande. Temos de nos preparar para isso", afirma.

Lusa/Fim