Friday, May 18, 2012
Paquistão: Comissão que investiga morte de Bin Laden pede julgamento para médico que colaborou com a CIA PDF Versão para impressão Enviar por E-mail
Segunda, 30 Janeiro 2012 10:34

Islamabad, 30 jan (Lusa) - A comissão paquistanesa que investiga a morte de Usama Bin Laden numa operação norte-americana solicitou que o médico que colaborou com a CIA na localização do líder da Al-Qaida seja julgado por alta traição.

A denominada comissão de "Abbottabad", cidade a norte de Islamabad onde estava refugiado Bin Laden solicitou que seja aberto um processo judicial contra o médico Shakil Afridi por trabalhar para a secreta norte-americana, revelou o diário "The News".

Shakil Afridi organizou uma campanha de vacinas em Abbottabad para tentar conseguir amostras de sangue de algum familiar de Bin Laden e verificar assim a sua presença numa casa da localidade, anexa a instalações militares.

 

O médico, sobre o qual os Estados Unidos manifestaram preocupação, foi detido pelos serviços secretos paquistaneses poucas semanas depois da morte do líder da Al-Qaida numa operação especial dos Estados Unidos em maio de 2011.

Shakil Afridi não está acusado de qualquer delito num tribunal civil e fontes paquistanesas confirmaram à agência EFE que o clínico está sob custódia dos serviços secretos.

Apesar de não existir qualquer informação oficial do caso, fontes oficiais anónimas já acusaram o médico de "alta traição" na imprensa.

O secretário norte-americano da Defesa, Leon Panetta admitiu pela primeira vez este fim de semana que o médio Afridi trabalhava para a CIA e pediu a sua libertação.

"De forma nenhuma cometeu um delito de traição contra o Paquistão. Não fez nada que prejudique o Paquistão", defendeu numa entrevista com a emissora norte-americana CBS.

Analistas internacionais acreditam, contudo, que o Paquistão utilize a libertação do médico para exigir algo em troca dos Estados Unidos.

Desde a morte de Bin Laden que as relações entre o Paquistão e os Estados Unidos registam sinais negativos, uma situação agravada pela morte de 24 soldados paquistaneses num ataque de helicópteros das Nações Unidas.

Como represália, o Paquistão decidiu encerrar a fronteira aos fornecimentos da NATO aos soldados estacionados no Afeganistão e boicotar uma conferência chave para o futuro do país em guerra.

JCS.

Lusa/fim