| Medidas/UE: Europa está ainda muito longe de um federalismo económico - Analista de Bruxelas |
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| Quarta, 08 Setembro 2010 09:50 | ||||||
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Bruxelas, 08 set (Lusa) – A União Europeia está ainda “muito longe” de um federalismo económico, apesar das mais recentes medidas adotadas pelos 27 em matéria de reforço da supervisão financeira e vigilância orçamental, defende Fabian Zuleeg, um especialista de Bruxelas em assuntos económicos. Zuleeg, responsável pela pasta económica no Centro de Política Europeia, um dos mais prestigiados “think tanks” (grupos de reflexão) com sede em Bruxelas focados em assuntos europeus, disse, em entrevista à Agência Lusa, que não acredita que um tal federalismo ganhe forma “nos anos mais próximos”, até porque não vê neste momento “grande apetite por parte de muitos Estados-membros” por tal solução. Para o coordenador do programa de política económica europeia do EPC (sigla de European Policy Center), a Europa caminha mais “no sentido de uma integração da política económica a nível europeu do que do federalismo”, até porque para se aproximar de um federalismo era necessário um sistema em que todos os Estados-membros fossem tratados de forma idêntica, o que, na sua opinião, está longe de acontecer.
A seu ver, a questão central reside na vontade dos Estados-membros em coordenar as políticas económicas, porque instrumentos já existem, mas não são aplicados. “Instrumentos sempre houve, a questão é implementá-los”, comentou, referindo-se aos novos mecanismos que atualmente estão a ser postos em marcha, e de cuja eficácia desconfia. Relativamente ao “semestre europeu”, exercício que recebeu na terça feira a luz verde dos 27 para entrar em vigor em 2011, e através do qual os projetos de orçamento dos Estados-membros serão discutidos no seio da União antes de serem apresentados aos parlamentos nacionais, Fabian Zuleeg indicou que é já é evidente que nem todos o respeitarão, lembrando que o Reino Unido já anunciou que o orçamento britânico será comunicado à câmara dos comuns e só depois a Bruxelas. O analista questiona então “qual a razão” para criar mecanismos que alguns Estados-membros são forçados a respeitar e outros não, em função do seu peso, apontando o exemplo do Pacto de Estabilidade Crescimento, que países poderosos como Alemanha e França já decidiram no passado, em tempos difíceis, não cumprir. Da mesma forma, apontou que os instrumentos que estão a ser criados visam “as economias mais fracas”, mas considerou que só poderiam ser bem sucedidos “se as regras se aplicassem de forma igual a toda a Zona Euro, e que países como Alemanha e França também se sentissem compelidos a cumprir”. Por fim, chamou a atenção para as limitações do mecanismo do “semestre”, lembrando que os Estados-membros vão olhar para os orçamentos uns dos outros, mas sem poderes para forçar um país a alterá-lo. Para Fabian Zuleeg, as políticas de coordenação económica ainda são muito fracas, apesar de o reforço das regras ser o caminho indicado, e é necessário ir mais longe. Aguarda “com curiosidade” as propostas que deverão ser apresentadas em breve pela “task force” liderada pelo presidente do Conselho, Herman van Rompuy, que acredita que poderão ir mais além em termos de ambição, mas o problema de fundo mantém-se: “é preciso ver como é que os Estados-membros reagem”. ACC. *** este texto foi escrito ao abrigo do novo Acordo Ortográfico *** Lusa/fim |
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