| Media: Jornais para 'smartphones' e computadores podem ser viáveis em Portugal, defendem especialistas |
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| Quinta, 19 Agosto 2010 09:51 | ||||||
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Lisboa, 19 ago (Lusa) - A criação de um jornal concebido para ser lido em 'smartphones' e computadores portáteis de ecrã táctil (tablet PCs) é viável em Portugal embora a sua sustentabilidade seja difícil de prever, defendem especialistas contactados pela agência Lusa. Uma ideia como a anunciada na semana passada pelo magnata da comunicação social Rupert Murdoch - que vai lançar um jornal digital para ser lido exclusivamente em computadores, 'smartphones' e 'tablet PCs', como o iPad, - pode resultar desde logo pela "avidez" dos portugueses em experimentar novos ‘gadgets’ com conteúdos, diz o coordenador editorial do site do Público, Sérgio Gomes. O jornal tem disponível desde março a primeira aplicação para iPhone dos media portugueses, que contabilizou até meados de julho 25 698 ‘downloads’. O total de visitas geradas desde o arranque da aplicação, a 08 de março, situa-se perto das 650 mil.
Reconhecendo ser "muito falível" fazer previsões sobre o futuro da indústria dos media, pois tal implica mexer em "hábitos enraizados há séculos", Sérgio Gomes sublinha que o único modelo provado de rentabilização de projetos on-line passa pela publicidade. "Todos os outros modelos mostraram ser falíveis", assinala, referindo-se por exemplo ao sistema de notícias pagas, utilizado por vezes por Murdoch em órgãos como o Wall Street Journal. Também para o editor multimédia do semanário Expresso, projetos como o idealizado pelo magnata da comunicação social "acabam por ser sempre viáveis", residindo a maior dificuldade na sua "sustentabilidade ou não". Miguel Martins sublinha que tecnicamente não é difícil idealizar um jornal exclusivamente vocacionado para novas plataformas. O problema, sustenta, é que "o retorno" de tais projetos "é uma incógnita", quer a nível publicitário quer do próprio "modelo de negócio em si". O responsável do Expresso adverte que, em Portugal, o potencial público para este tipo de iniciativas é ainda reduzido, mas admite que o futuro da comunicação social passa "inegavelmente" por novos ‘gadgets’ tecnológicos. "É evidente que o futuro passa por aí. Não há nenhum caminho que se faça a andar para trás", assinala. O jornalista Paulo Querido, especialista em redes sociais e novas tecnologias referentes à Internet, reforça a importância da "mobilidade" no consumo de informação, antevendo que a Internet no seu sentido "mais clássico", o ato de "ir a páginas de jornais ver notícias", vá perder importância para aplicações próprias criadas pelos órgãos de comunicação social. Paulo Querido realça também a dificuldade em perspetivar as receitas de um serviço do género, nomeadamente em Portugal, um país "extraordinariamente conservador e não inovador" no setor dos media, que tradicionalmente adapta "um, dois anos depois" projetos que se comprovem bem sucedidos internacionalmente, "em particular nos EUA". De acordo com o Los Angeles Times, a redação do novo jornal idealizado por Robert Murdoch vai funcionar em conjunto com a do New York Post e utilizará parte dos recursos do jornal, bem como do Wall Street Journal e da agência financeira Dow Jones, todos da News Corporation, detida pelo empresário. PPF. *** Esta notícia foi escrita ao abrigo do novo Acordo Ortográfico *** Lusa/Fim |
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