| Literatura: A mentira e a verdade para políticos e escritores, segundo José Rodrigues dos Santos |
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| Terça, 31 Janeiro 2012 10:52 | ||||||
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Macau, China, 31 jan (Lusa) - O jornalista e escritor José Rodrigues dos Santos separou hoje as responsabilidades de políticos e escritores, salientando que aos primeiros interessa "mentir com convicção" e aos segundos "contar a verdade como a veem". "Para ser político é apenas necessário, verdadeiramente, pelos vistos, saber mentir com convicção e ser reeleito. O escritor tem outras responsabilidades: procura contar a verdade como a vê e o leitor ganha ou não confiança em função do que lê dele", disse à agência Lusa, à margem da sua participação no festival literário de Macau. José Rodrigues dos Santos, que foi um dos oradores no painel "Pode a escrita ser política", reagia assim à ideia do escritor Jimmy Qi, que disse que "os políticos são substituíveis", ao contrário dos autores, que "são únicos".
Para Jimmy Qi, "os políticos podem ser produzidos, como na Coreia do Norte - em que o poder passou de pai para filho - mas os artistas não se produzem". "Nós autores damos mais contributos e não somos substituíveis. Todos podiam ser primeiros-ministros de Portugal. Bem, eu não", ironizou o autor chinês. Já José Rodrigues dos Santos salientou que "todo o ato humano tem uma natureza política" e nos livros "há sempre um texto e um subtexto, e muitas vezes nem os próprios autores estão conscientes disso". "Mesmo quando falamos de futebol estamos a falar, de uma certa maneira, de política e não temos consciência disso", exemplificou. O autor de cinco ensaios e nove "Quando escrevi ’A Fúria Divina’ não queria ser controverso e tive vários debates comigo próprio. E no final tive de dizer a verdade. Essa é a tarefa de um romancista. Posso ser mais verdadeiro quando escrevo ficção", disse. Para Rodrigues dos Santos "através da ficção conseguem-se dizer grandes verdades", porque "o discurso jornalístico ou discurso histórico está preso às fontes e aos documentos que existem ou não". "Muitas vezes acontece que sabemos que determinada coisa é verdadeira, mas não podemos dizer porque não temos O escritor e jornalista português citou também outros autores como D.H. Lawrence ou Eça de Queirós para explicar que a política não se Por fim, observou que "o escritor tem de ter liberdade para dizer coisas politicamente incorretas", considerando que "a ditadura, por vezes, é boa para a literatura". "É um pouco como o erotismo e a pornografia. A liberdade é pornografia. Quando há ditadura temos de ser eróticos e deixar o resto subentendido", concluiu. Também orador no mesmo painel, o artista plástico residente em Macau, António Conceição Júnior, subscreveu a ideia, afirmando que "a censura pode ser um impulso muito criativo". "O homem enquanto animal político tem de intervir publicamente em tudo", apontou. O Festival Literário de Macau "Rota das Letras" termina na sexta-feira. FV. Lusa/fim |
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