| Literatura: Oriente e Ocidente num mundo globalizado debatidos em Macau |
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| Segunda, 30 Janeiro 2012 10:30 | ||||||
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Macau, China, 30 jan (Lusa) - A atração e desconhecimento entre o Oriente e Ocidente e os efeitos da globalização nesta relação foram debatidos hoje por autores de ambos os hemisférios no segundo dia do Festival Literário de Macau, que decorre até sexta-feira. "A minha grande curiosidade é saber se no século XV o navegador chinês (Zheng He) tivesse chegado à Europa, como é o que mundo seria hoje", disse o realizador português Miguel Gonçalves Mendes durante o painel "Oriente e Ocidente: imaginários que se atraem?" Para o autor do documentário "José e Pilar", também exibido no âmbito do festival, "há um desconhecimento total do Ocidente sobre o Oriente e a visão é sempre superficial, porque é muito exótica e baseada em estereótipos".
"Nós olhamos sempre os outros através de estereótipos. É triste mas é assim: temos a imagem dos Com dúvidas "se a aldeia global a que pertencemos é mais ou menos rica", Miguel Gonçalves Mendes considerou que "quem talvez tenha percebido melhor a cultura oriental tenham sido as pessoas que a viveram", dando o exemplo da passagem por Macau de Camilo Pessanha e Venceslau de Morais. "Todos os países grandes têm um problema de falta de curiosidade, porque eles são tão grandes que estão sempre a olhar para o seu umbigo. Felizmente nasci num país pequeno e sempre tive imensa curiosidade", disse Miguel Gonçalves Mendes, que a partir de Macau irá filmar uma viagem ao Oriente com os escritores brasileiros João Paulo Cuenca e Tatiana Salem A escritora taiwanesa Lolita Hu concordou com o realizador português, ao sublinhar que nascer num território pequeno aumenta as capacidades individuais, "porque se é obrigado a olhar para fora e a aprender com isso". Mas na sua perspetiva, a globalização "tornou tudo demasiado politicamente correcto e aborrecido", mesmo na abordagem dos estereótipos. Já a escritora Xu Xi referiu que "por causa da questão colonial, foi sempre mais fácil para os estrangeiros 'viajar' através dessa literatura". "Eu escrevo em língua inglesa porque cresci em Hong Kong e esta é a língua em que sou mais fluente, o que não deixa de ser a língua colonialista", sublinhou a autora de "Habit of a Foreign Sky" ou "Access Thirteen Tales". Xi Xu invocou ainda a emergência da "superpotência" chinesa: "A China está no centro das atenções atualmente, incluindo a língua chinesa, que agora todos querem aprender". Por sua vez, o jornalista Paulo Aido referiu o papel do escritor "nos tempos modernos, onde tudo acontece a grande velocidade". "Todos nós temos um metro quadrado de influência no mundo. A ‘primavera Árabe’ começou porque um homem desesperado se imolou. A escrita também tem esse poder", indicou. Para o também fundador do jornal Ponto "Nos próximos anos podemos estar a falar de várias Chinas porque a censura e os bloqueios ao Facebook não vão durar para sempre", observou. FV. Lusa/fim |
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