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Caitlyn Jenner votou em Trump porque “votaria em qualquer candidato republicano”

A ativista pelos direitos dos transexuais norte-americana Caitlyn Jenner disse hoje, em Lisboa, que votou em Donald Trump para a presidência dos Estados Unidos porque “votaria em qualquer candidato republicano”, deixando em aberto a possibilidade de votar nele novamente.

“Nunca votei num democrata, ia votar em qualquer candidato republicano, mas não o apoiei e nunca falei sobre ele. Ele acabou por ser o nosso candidato e claro que ia votar nele”, afirmou hoje Caitlyn Jenner, numa sessão de perguntas e repostas na cimeira tecnológica, de inovação e de empreendedorismo Web Summit, no Parque das Nações, onde foi apresentada como a “mulher transexual mais famosa do mundo”.

Caitlyn Jenner respondia à questão de uma participante na conferência, que se apresentou como “mulher, norte-americana e transexual”. “Porque raio votou em alguém que detesta quem somos?”, questionou.

A ativista começou por recordar que tem 68 anos e “sempre” cresceu “do lado conservador, num ambiente muito conservador”.

“Acredito na Constituição, em governação limitada e em todas essas coisas, por isso estive sempre mais do lado republicano, mas no que diz respeito aos assuntos sociais sou mais liberal”, afirmou.

Caitlyn Jenner partilhou ter falado com Donald Trump “uma vez, quando ainda era candidato nas primárias, ao telefone sobre os assuntos da comunidade transexual e ele esteve sempre de acordo”.

Além disso, lembrou, “em 2012 ele apoiou uma jovem transexual canadiana que estava no concurso Miss Universo, do qual ele é dono”.

“Achei que faria melhor, estava algo otimista e pensava ‘deixa-nos em paz, não faças nada’”, admitiu.

Em fevereiro, Donald Trump revogou uma norma, proclamada pelo seu antecessor Barack Obama, que permitia aos alunos transexuais utilizar as casas de banho e vestiários em função do género com que se identificam. Em julho, anunciou que as pessoas transgénero não serão admitidas nas Forças Armadas norte-americanas.

As decisões deixaram Caitlyn Jennes “muito revoltada”. “Estou constantemente a tentar apanhar os cacos dele e peço desculpa às pessoas”, afirmou.

Não querendo desculpabilizar Donald Trump, porque “é ele o responsável, é ele que assina as leis”, a ativista referiu que, “infelizmente, muitas das pessoas na administração conseguiram a atenção dele”.

“Em relação a outros assuntos há coisas de que gosto”, disse, garantindo que “nunca” fará campanha por Donald Trump, “sabendo hoje o que ele fez à comunidade transexual”.

Quanto a mudar o voto, caso o tempo voltasse atrás, “é uma questão difícil”, porque “era tão contra o outro candidato, a Hillary Clinton”. “Nunca votei num democrata e ela não era uma boa candidata”, disse.

A possibilidade de voltar a votar em Donald Trump, caso ele se candidate em 2020, fica em aberto.

“Temos mais três anos e muito pode acontecer, decidirei na altura”, afirmou.

Antes da sessão de perguntas e respostas, Caitlyn Jenner esteve no palco principal da Web Summit onde recordou o seu percurso de vida antes e depois de se assumir transexual, em 2015, e alertou para os problemas que aquela comunidade enfrenta diariamente em todo o mundo.

A Web Summit termina hoje no Altice Arena (antigo Meo Arena) e na Feira Internacional de Lisboa (FIL), em Lisboa.

JRS // JPF

Lusa/Fim